Missa de Sétimo dia: Para Que Serve?

Missa de Sétimo dia: Para Que Serve?

A Missa de Sétimo Dia é um dos ritos mais famosos da Igreja Católica, sendo conhecido (apesar de não praticado) até por fiéis de outras denominações cristãs. Seu intuito e prestar homenagem aos mortos recentes, por meio de uma celebração em memória deles.

Mas você conhece as origens da Missa de Sétimo Dia? Sabe o que diferencia ela de uma celebração comum? Por que escolhe-se o número 7, afinal de contas? Para responder a esses e outros questionamentos, elaboramos esse artigo. Continue lendo para entender um pouco mais desse ritual tão antigo.

O Que É a Missa de Sétimo Dia?

É um costume muito antigo da Igreja Católica (e da Humanidade, em geral) prestar homenagens a seus mortos. Isso se deve ao desejo de se despedir do ente querido que se foi. Além de que, por meio de ritos específicos, possa se garantir uma passagem tranquila do falecido para a outra vida. Especialmente, aqueles que se encontram em expiação, no Purgatório.

Segundo a tradição cristã, aqueles que se encontram no Purgatório já estariam salvos, uma vez que apenas os condenados são enviados ao Inferno. Entretanto, é necessário que se passe alguns séculos no Purgatório, até que as almas estejam puras, o suficiente, para adentrar na plenitude do Paraíso.

Para auxiliar as almas nessa jornada, existe a crença de que as orações dos vivos se tornam necessárias, agindo como guia aos mortos e intercessores, junto à Deus.

As tradições mais importantes nesse assunto são as missas póstumas. Essas celebrações possuem nomes específicos. Os mais comuns são missas réquiem (espécie de música que acompanha cortejos fúnebres) e as missas pro defunctis (missas pelos defuntos, em uma tradução livre do latim).

A Missa de Sétimo Dia é um ritual de morte, tipicamente, brasileiro. Pesquisas na literatura católica, de diversos lugares do mundo, em diferentes épocas, não acusam nenhum ritual semelhante. Para saber a razão disso, devemos estudar um pouco da história da Missa de Sétimo Dia.

Qual a Origem da Missa de Sétimo Dia?

Na Bíblia cristã, existem diversas menções a rituais de homenagem aos mortos, desde o primeiro Testamento.

Já no livro do Gênese, em seu último capítulo, é descrita a morte de Jacó, no Egito, ao lado de seus filhos. Na ocasião, José, seu filho preferido, permaneceu de luto por sete dias pela morte do pai.

Outros rituais de morte são descritos ainda no antigo Testamento, nos livros de Judite e do Eclesiástico (presente, apenas, na Bíblia católica). Quando Judite faleceu, o luto guardado pelo povo judeu foi, também, de sete dias. No Eclesiástico, essa quantidade de dias também é recomendada.

Na literatura católica, entretanto, não conta uma celebração específica a ser celebrada, após sete dias do falecimento da pessoa. A única missa que consta e a missa réquiem, também conhecida como missa de corpo presente, atualmente. Ela é realizada logo após o sepultamento do falecido.

No Brasil, entretanto, existe a tradição de se aguardar por sete dias após a morte do falecido. Essa tradição vem da época do Brasil Colônia. Nessa época, devido à extensão continental do país, os parentes e os amigos dos falecidos, dificilmente, poderiam chegar a tempo do sepultamento ou da missa de corpo presente.

Vale lembrar que, na Europa, onde o cristianismo se consolidou e expandiu, as extensões dos países eram muito menores. Portugal, nossa antiga metrópole é, quase, uma centena de vezes menor que o Brasil. Logo, as distâncias eram vencidas muito mais rapidamente no velho continente.

Dessa maneira, aqui no Brasil, foi criado o rito de se aguardar por sete dias para a celebração da missa. Dessa forma, todos os que quisessem comparecer, teriam a oportunidade de fazê-lo. Assim, a despedida do morto seria mais adequada do que a que seria realizada na missa de corpo presente, que ocorre no velório ou no sepultamento.

Por Que Realizamos a Missa de Sétimo Dia Nessa Data?

Já entendemos que a Missa de Sétimo Dia foi institucionalizada para que os entes queridos do morto pudessem prestar suas últimas homenagens de maneira adequada. Mas por que sete dias? Por que não 5 ou 10?

A verdade é que o número 7 está presente em diversas passagens bíblicas. Alguns deles relativos à morte, outros a diversos ciclos e passagens importantes. Além dos 7 dias de luto por Jacó e por Judite, podemos citar:

  • Os sete dias em que o mundo foi criado, no Gênese;
  • Os sete anos que Jacó teve de trabalhar para seu sogro para ter o direito de desposar cada uma de suas filhas;
  • No Êxodo, o sacrifício, para purificação é um ritual com duração de sete dias;
  • No Levítico, que dita a maioria dos mandamentos do povo judaico, rituais de purificação em leprosos (considerados impuros, na época) consistiam em sete banhos;
  • No mesmo livro, mulheres que deram à luz eram, também, consideradas impuras, sendo consideradas puras após o sétimo dia de vida do bebê. No dia seguinte, o bebê poderia ser circuncidado e era considerado, definitivamente, judeu.
  • Nos Evangelhos, a multiplicação que Jesus realizou envolvia sete alimentos (cinco pães e dois peixes);
  • Em passagens próximas, Jesus oriente Pedro a perdoar aqueles que os ofendem setenta vezes sete.

Também devemos lembrar que o número sete está bastante presente na simbologia cristã. Sendo 7 dons do Espírito Santo, em oposição aos sete pecados capitais, sete planetas considerados pela Igreja, antes da Era Moderna, entre outros.

O número sete também se caracteriza por ser a soma de 3 e 4. Esses números representariam, respectivamente, o masculino e o feminino. Sendo assim, o sete, seria a perfeição, pois seria uma união capaz de gerar a vida, segundo a tradição cristã.

O fato de a Igreja Católica ter sido instituída em Roma a fez absorver algumas tradições locais. Uma delas dizia que a vida se dividia em ciclos de 7 anos.

Tendo em vista a presença constante do número 7, pareceu bastante razoável escolher esse número de dias para realizar uma celebração em honra às pessoas falecidas.

A Missa de Sétimo Dia é uma tradição que existe apenas na Igreja Católica brasileira.

A Tradição da Missa de Sétimo Dia Ainda se Mantém?

Apesar de a tradição da Missa de Sétimo Dia ser bastante popular no Brasil, em razão do grande número de católicos no país, a celebração não é uma unanimidade.

Outras denominações cristãs, por exemplo, não realizam o rito, visto que ele não é indicado, explicitamente, na bíblia. No entanto, o luto é guardado da mesma maneira, visto que é uma experiência comum a todo ser humano, ou seja, uma sensação inerente à humanidade.

Mesmo aqueles que não possuem religião ou crença no sobrenatural, ainda guardam luto pelos seus entes queridos, manifestando-o de maneiras diferentes. Nesses casos, as homenagens tendem a ser mais voltadas aos vivos, em memória do ente falecido.

Mesmo entre os religiosos, outros tipos de homenagens são aceitos; dentre eles, podemos destacar:

  • Homenagens durante o velório ou sepultamento da pessoa;
  • Lembranças de luto, conhecidas como santinhos, que funcionam tanto como lembrança, quanto como um ato de profissão de fé;
  • Visita ao túmulo ou locais santos que mantinham importância para a pessoa morta. Tais peregrinações tendem a serem feitas em dias especiais, como aniversário de nascimento ou falecimento, bem como, no Dia de Finados.

Portanto, como nos foi possível notar, a quantidade de homenagens possíveis aos entes que faleceram não se restringe à Missa de Sétimo Dia, apesar de ela ser bastante celebrada no Brasil. Esse tipo de homenagem é necessária para lembrar aos vivos o quanto a pessoa falecida era importante.